segunda-feira, 31 de maio de 2010

6. Transposição - Tryin' everything to just feel better

Gripe. Quero melhorar. Dor no corpo, nariz entupido. Querer melhorar me faz lembrar das tentativas 'to just feel better' de que fala a música. Hoje tem mais, mas não poderia deixar de postar essa (e até cantaria, não fosse meu nariz entupido).

domingo, 23 de maio de 2010

5. Transposição - De aceitável a aceito.



Meu final de semana foi diferente; a ponto de eu sentir próximo o momento da dúplice transposição de alguém meramente aceitável para alguém efetivamente aceito. Dúplice pelo fato de que ser aceito importa o fato de eu aceitar a pessoa que me aceita.
Quero repetir o que se passou na noite de sábado.

4. Preliminar de posição

A preparar terreno para o nosso próximo post sobre posições, coloco a presente preliminar:



a ser comentada segundo critérios de conveniência e oportunidade.

3. Interposição - Apelando

"If you just realize
What I just realized
That we'd be perfect for each other
And we'll never find another
Just realize
What I just realized
We'd never have to wonder
If we missed out on each other, now".

Interposição: sf 1. Posição intermediária de uma coisa entre outras. 2. Intervenção. 3. Posto entre. 4. Metido de permeio.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

2. Proposição - Freeze the moment.

Em nosso primeiro post sobre proposições não pode faltar uma definição do termo. Definição que será rápida, porque mais importante do que qualquer definição que se possa dar ao conceito é a proposição em concreto que pretendo fazer: freeze the moment.
Mais uma vez Ruth Rocha: Proposição sf 1. Ato de propor. 2. Aquilo que se propõe. 3. Proposta afirmativa. 
Propomos algo quando a realidade como se nos apresenta já não tem mais cabimento, quando se admite a necessidade e a possibilidade de uma mudança para melhor. Proposição compreende sempre um anseio por solução - propor para transpor.
Venho hoje, serenamente, fazer proposição como daquelas que há tempos não faço. Há tempos não faço porque são poucos os que conseguem gerar em mim essa necessidade de mudança que, como disse, antecede a proposição em si. Demoro a encontrar quem seja capaz de me fazer reconhecer que melhor não é estar só, e que há companhias outras, que não a minha, capazes de me fazer sentir bem. E quando encontro, à proposição se opõe uma intensa dificuldade de me expressar - que é o que sinto agora mesmo, enquanto escrevo este post,  com destinatário certo.
Melhor é não estar só. Esclareço que melhor é não estar só, quando o acompanhante é a pessoa que você pode convictamente dizer que é a certa. Melhor é não estar só, com a companhia ideal. Apesar de uma timidez, uma palpitação bem fraquinha e um perder-se em olhos alheios que não lhe são típicos tomarem lugar na situação, quando ele está a poucos metros - e ao mesmo tempo inalcançável. Quando o que você mais quer - e pediria se soubese que fosse ser atendido - é que a cena se congele: freeze the moment.
Hoje mesmo, na cena mesma, eu ouvi a música cujo título comporta o núcleo da proposição que faço, no sentido de congelar aqule beijo inocente de boa noite, de deixar minha mão na sua cintura e me deixar continuar respirando bem fundo perto de você, apenas e tão somene para aproveitar seu cheiro - que ainda não conhecia, mas que apreciei, como muito o que lhe é inerente. Freeze the moment. A música, no refrão, é a proposição que preciso (muito mais do que quero) fazer:
Freeze the moment
It's never been better
Freeze all over
We won't last forever
You said that you're sorry for pushing me
But then smiled when I opened my eyes
I'm gonna freeze the moment
While we're together
(Freeze. Jordin Sparks)
De fato, eu congelaria o momento, pois não tenho tido iguais. Senti mais do que caberia naquele instante. Mal te abracei e já estava me virando para repetir o boa noite e indo embora - querendo ficar. E querendo que o dito beijo de boa noite não tivesse sido apenas no rosto. Querendo que o boa noite em si tivesse sido dado não na sua porta, mas na sua cama, do seu lado, holding hands. Querendo que o abraço tivesse sido menos suave, mais forte, digno dos que casais dão.
Na descrição da música, eu não seria quem é puxado, seria o que puxa. Mas, ao contrário, I'm not sorry for pushing you - gostei de tê-lo feito. Quero fazê-lo com mais frequência e cada vez com mais propriedade, e está aí o porquê desta proposição, que é também um pedido, para que possa congelar de fato os próximos momentos (que pretendo que hajam), while we're together. Cause we will be together.


domingo, 16 de maio de 2010

1. Posição - O homem prevaricará.

Resolvi começar a traçar as linhas de nossa teoria com um post sobre posições. Isso porque posição é a raiz de toda as as palavras que servem para designar os componentes da realidade que processamos e em que somos processados - proposições, interposições, imposições, oposições.
Posição, segundo Ruth Rocha, é: 1. Situação social, moral ou econômica. 2. Lugar onde uma pessoa ou coisa está colocada. 3. Modo de colocar o corpo ou partes dele. Para os fins desta teoria, cremos ser a primeira definição a mais pertinente: o modo do indivíduo de situar-se social, moral ou econômicamente.
Inclusive, anote-se que a  definição colacionada é falha, porque deixa de conter o sentido político que o termo pode carregar. É claro que o que é político não deixa - nem um pouco - de dialogar com o que há de social, moral e econômico; mais do que dialogar, o que é político não é outra coisa senão a resultante desses três vetores da humana atividade. O que não obriga qualqer leitor a levar  isso em conta quando da ausência da coisa política numa definição, porque se existe política na interação dos vetores citados, existe política também de forma isolada.
Feita a crítica, voltemos às posições, componentes representativos da processualidade mundana. Posições enquanto as formas com que os indivíduos se comportam.
Analisar o comportamento do ser humano, compreendendo-o minimamente - que seja -, tem como consequência um feeling das situações que torna a vida previsível na medida em que se adquire experiência. Ora, quando digo que a vida é dotada de processualidade, que é processual, digo não só que é. Digo que tem sido; digo que sempre foi. Spencer esclareceria,  nesse ponto, que a inteligência humana é resultado do acúmulo histórico de informações. Então, apesar de a experiência humana ter sido desde sempre processual, essa processualidade foi ganhando complexidade conforme nossa própria evolução. Passamos da processualidade simples e imediata do homem primitivo - matar para viver - para a processualidade complexa e mediata do homem contemporâneo - que mata por dinheiro porque precisa dele para viver. Realmente, entre o matar e o viver puro e simples do homem primitivo, ao longo de nossa história, muita coisa foi-se acumulando. Se o homem primitivo matava para comer e assim se manter vivo, o homem contemporâneo mata por dinheiro, que compra coisas outras que não apenas comida. Dinheiro compra comida, mas compra roupas, mas compra carros, compra casa (logíquos tempos em que uma caverninha mal ensolada satisfazia o homem /beygos), compra pessoas.
Grifo porque é daí, da capacidade redutiva do próprio homem a dinheiro ou qualquer coisa correspondente, que tirei essa idéia de que  não só é como tem sido desde sempre,  para o que eu ainda não havia atentado - mas acabaria atentando, e aconteceu mais cedo do que eu esperaria.
Estava hoje quebrando minha cabeça, tentando achar algo sobre o que escrever, enquanto falava sobre banhos com um conhecido, no messenger. Olhei em volta e vi a Bíblia - adoro a Bíblia, fique surpresa, humanidade(!), e a leio com frequência diária (pra quem não sabia dessa: beygos). Vejo a Bíblia como o primeiro e mais detalhado Tratado de Processo Mundano, e um dos mais antigos, além de ser de onde tiro as orientações que dou à minha existência.
Vi a Bíblia e abri, como num sorteio (mamãe mandou eu escolher...). Acabou caindo numa página dobrada, que eu devo ter lido um dia, e toda grifada e com trechos em destaque. Um deles me chamou a atenção, que é justamente o que me levou ao grifo supra, no sentido de que o homem é comprável (primeiro princípio da processualidade mundana):

Parcialidade não é bom,
porque até por um bocado de pão
o homem prevaricará
(Provérbios, 28:21)

É de se notar, no trecho, que a parte que coloca o homem como um ser que se vende está isolada em relação aos termos restantes. Não é por acaso, foi intencional.
Em verdade, é uma predição. O homem prevaricará. Não se trata de possibilidade, senão o autor escreveria que o homem pode prevaricar. Não! O homem prevaricará. É certo que ele vai fazer isso, não importa a circunstância (até por um bocado de pão, ou por menos), ele prevaricará.
Em segundo lugar, é porque o homem prevaricará que parcialidade não é bom, porque até mesmo aquele do lado de quem você se coloca está sujeito a prevaricar em seu detrimento. Neste trecho, Deus ensina a seus súditos uma forma de estar menos sujeito a esta lei da processualidade mundana (lei natural, frise-se). Não tome lados, para não se sentir traído duas vezes. Uma vez deve ser o bastante, de fato.
De todo o exposto, temos que o mais importante é o fato de que a processualidade da atividade humana não mudou muito de longos tempos para cá, há dois mil anos o autor da Bíblia já sabia que o homem é um animal prevaricador. Social porque prevaricador; político porque prevaricador.
Ora, não é pacífico na doutrina que o homem se agrupou por ser mais fácil sobreviver em conjunto. Está aí uma das grandes prevaricações de sociedade. A luta da conveniência.
Meus amigos, se vocês notaram essa posição humana só agora, peço que não se revoltem. Até vocẽs prevaricam. É da natureza humana. Nem o autor bíblico nos aconselhou à revolta. Pelo contrário, apenas nos aconselhou ao cuidado. Homem, cuidado com os homens.
O conselho se repete quando aquele pensador diz que o homem é o lobo do homem (eu diria que é o lobo de tudo, até do homem, que é a última ratio). O homem só ataca seu semelhante quando não há outa escolha. E não é por bondade; é porque atacar seu semelhante é como atacar a si mesmo. Uma espécie de dor que o ser humano só aceita - de forma inconsciente - sentir quando não consegue encontrar formas melhores de resolver seus problemas e sanar suas necessidade. Acontece que, com o passar das eras, o homem foi ficando menos criativo. Daí ser cada vez mais constantes os ataques que o homem faz a ele mesmo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O efeito distributivo da processualidade mundana

Começo a pensar quando penso em começar um blog. Blogo, logo penso; penso, logo existo.
Silogismo falho, tanto pelo ângulo de que eu mal blogo quanto pelo ângulo de que nem sei o que efetivamente é existir, para dizer que sim ou que não - existo mesmo, ou sou só um borrão numa realidade que nasceu em branco? E olhe que admitir que a realidade nasceu em branco, e que foi se borrando aos poucos, é admitir que aos poucos a realidade foi-se tornando menos real! Tampouco sei se penso: penso que penso.
Mas o problema, se o que queremos é compromisso com a verdade - o que torna o discurso zetético, quando, a despeito disso, preparo o terreno para passar a demonstrar que a problemática toda da vida é essencialmente dogmática - não está em pensar. Está em saber. Em saber que se sabe, a coisa piora: deixa de ser problema e cruza a linha do caótico. Exemplo melhor não exite do que o do homem que sabe que sabe¹. A questão é que não sei se existo; não sei se penso; não sei por que blogo. Contudo, sei que blogar me faz pensar, que me faz existir um pouco (para a História, v.g., tão dependente da escrita). Aliás, prefiro mesmo que seja a História que me descubra - e não a Antropologia, já que os instrumentos meus que ela poderia encontrar são por demais íntimos e o que escrevo é feito mesmo pra ser lido. Prefiro que leiam o que foi feito pra sê-lo a que encontrem algo que não necessariamente era para ser achado.
Pensei em criar este blog e comecei um processo (anote-se desde já que falaremos muito em processo e processualidade em nossas postagens) mental que foi ganhando complexidade conforme avançava - como tudo o que evolui. Evoluir é, por excelência, tornar-se complexo - num raciocínio poético que lembra a serenidade de Ayres Britto. O que me lembra das palavras dele, ditas para mim e pessoalmente, sobre o que Heráclito ensinava: "Tudo muda. Só a mudança é que é imutável".
Uma breve nota sobre a serenidade. Que para mim é qualidade daqueles que, mais do que aceitar (o que, isoladamente, é defeito, não qualidade), compreendem o mundo da forma com ele se lhes apresenta, e com significativa profundidade. Está aí um dos princípios do raciocínio que nos levará a uma verdadeira teoria da processualidade mundana: compreender compreende aceitar. Entender compreende admitir. Melhorar também. Tudo gira em torno de admissões. A realidade é a premissa em torno da qual encadearemos o raciocínio que descreverá essa mesma realidade. Do mundo. Daí processualidade mundana.
Voltando: pensei em criar um blog e comecei um processo mental que foi ganhando complexidade. Não sabia o que queria, mas sabia que queria algo a ver com o meu dia-a-dia, que começa jurídico no trabalho e termina jurídico na faculdade. Pensei em "embargos", que achei pobre pela palavra. Não quero parecer um chato que só pensa em embargar (embargo é forte, mas traz um quê de inconveniente - alguém que vive embargando me leva a pensar num estraga prazeres, o que eu não pretendo ser). Mas eu gosto da essência de um belo embargo de declaração, que, das peças que escrevi, achei uma das mais interessantes pela finalidade e pela eficácia que é pra ter (não que efetivamente a tenha).
Por substituição, considerei "oposições". Continuei incomodado: um embargo é sim uma espécie de oposição, mas agora o título passava à remessa para bandeiras vermelhas, foices e machados que eu nunca quis segurar. Mesmo porque segurar esse tipo de coisas dá calos. Se não sou de esquerda, também não sou de direita. Tampouco centrista. Estou é suspenso no ar, pairando sobre tudo o que se encontra no meio e dos lados. Sou um pouco como o Estado, então. Só que eu não surgi do consentimento coletivo. Não sou uma criação do Direito - sou mais uma imposição da natureza (que é muito mais coercitiva do que o Estado, com efeito). Quem sabe eu não seja uma mostra que a natureza resolveu dar de seu poder coercitivo?
Acontece que, ao pensar em mim como imposição, notei que isto era algo que também queria para a fórmula de meu blog (a fórmula do sucesso, beygos). E a partir daí foi uma questão de desdobramentos (como em todo processo, judicial, administrativo, científico ou mundano). Queria oposições, mas queria imposições. Queria também proposições (reclamar sem solucionar é coisa de brasileiro; e, como eu sou um europeu nascido no Novo Mundo,não posso reclamar sem propor soluções), e interposições. E composições, e, mais ainda, transposições. Soluções.
Ora, no fundo, no fundo, o que eu queria mesmo (e continuo querendo) são posições qualificadas, reunidas no mesmo periódico irregular, cada qual servindo a um propósito, o que qualquer pessoa de inteligência mediana descreveria matematicamente como:

Oposições + Interposições + Imposições + Proposições = (O + Inter + Im + Pro)posições

Se a realidade se processa de acordo com as posições em que cada um se coloca - propondo, se opondo, interpondo, impondo, compondo, transpondo -, aí está a demonstração da distributividade desse processo.
E aqui eu já me arrisco a explicar por que digo que "a problemática toda da vida é essencialmente dogmática". É porque a vida, como este blog, na medida em que é composta por posições qualificadas ao atingimento de propósitos certos, é um corte na realidade, não uma visão ampla dela.Tudo o que é voltado a propósitos pressupõe a escolha entre duas opções, uma melhor e outra pior, que é fruto do convencimento de que uma é melhor do que a outra, o que é essencialmente dogmático.
A jornada de investigação dessa processualidade distributiva e (por que não?) da distributividade processual da vida começou.
¹ Homo sapiens sapiens.