Resolvi começar a traçar as linhas de nossa teoria com um post sobre posições. Isso porque posição é a raiz de toda as as palavras que servem para designar os componentes da realidade que processamos e em que somos processados - proposições, interposições, imposições, oposições.
Posição, segundo Ruth Rocha, é: 1. Situação social, moral ou econômica. 2. Lugar onde uma pessoa ou coisa está colocada. 3. Modo de colocar o corpo ou partes dele. Para os fins desta teoria, cremos ser a primeira definição a mais pertinente: o modo do indivíduo de situar-se social, moral ou econômicamente.
Inclusive, anote-se que a definição colacionada é falha, porque deixa de conter o sentido político que o termo pode carregar. É claro que o que é político não deixa - nem um pouco - de dialogar com o que há de social, moral e econômico; mais do que dialogar, o que é político não é outra coisa senão a resultante desses três vetores da humana atividade. O que não obriga qualqer leitor a levar isso em conta quando da ausência da coisa política numa definição, porque se existe política na interação dos vetores citados, existe política também de forma isolada.
Feita a crítica, voltemos às posições, componentes representativos da processualidade mundana. Posições enquanto as formas com que os indivíduos se comportam.
Analisar o comportamento do ser humano, compreendendo-o minimamente - que seja -, tem como consequência um feeling das situações que torna a vida previsível na medida em que se adquire experiência. Ora, quando digo que a vida é dotada de processualidade, que é processual, digo não só que é. Digo que tem sido; digo que sempre foi. Spencer esclareceria, nesse ponto, que a inteligência humana é resultado do acúmulo histórico de informações. Então, apesar de a experiência humana ter sido desde sempre processual, essa processualidade foi ganhando complexidade conforme nossa própria evolução. Passamos da processualidade simples e imediata do homem primitivo - matar para viver - para a processualidade complexa e mediata do homem contemporâneo - que mata por dinheiro porque precisa dele para viver. Realmente, entre o matar e o viver puro e simples do homem primitivo, ao longo de nossa história, muita coisa foi-se acumulando. Se o homem primitivo matava para comer e assim se manter vivo, o homem contemporâneo mata por dinheiro, que compra coisas outras que não apenas comida. Dinheiro compra comida, mas compra roupas, mas compra carros, compra casa (logíquos tempos em que uma caverninha mal ensolada satisfazia o homem /beygos), compra pessoas.
Grifo porque é daí, da capacidade redutiva do próprio homem a dinheiro ou qualquer coisa correspondente, que tirei essa idéia de que não só é como tem sido desde sempre, para o que eu ainda não havia atentado - mas acabaria atentando, e aconteceu mais cedo do que eu esperaria.
Estava hoje quebrando minha cabeça, tentando achar algo sobre o que escrever, enquanto falava sobre banhos com um conhecido, no messenger. Olhei em volta e vi a Bíblia - adoro a Bíblia, fique surpresa, humanidade(!), e a leio com frequência diária (pra quem não sabia dessa: beygos). Vejo a Bíblia como o primeiro e mais detalhado Tratado de Processo Mundano, e um dos mais antigos, além de ser de onde tiro as orientações que dou à minha existência.
Vi a Bíblia e abri, como num sorteio (mamãe mandou eu escolher...). Acabou caindo numa página dobrada, que eu devo ter lido um dia, e toda grifada e com trechos em destaque. Um deles me chamou a atenção, que é justamente o que me levou ao grifo supra, no sentido de que o homem é comprável (primeiro princípio da processualidade mundana):
Parcialidade não é bom,
porque até por um bocado de pão
o homem prevaricará
(Provérbios, 28:21)
É de se notar, no trecho, que a parte que coloca o homem como um ser que se vende está isolada em relação aos termos restantes. Não é por acaso, foi intencional.
Em verdade, é uma predição. O homem prevaricará. Não se trata de possibilidade, senão o autor escreveria que o homem pode prevaricar. Não! O homem prevaricará. É certo que ele vai fazer isso, não importa a circunstância (até por um bocado de pão, ou por menos), ele prevaricará.
Em segundo lugar, é porque o homem prevaricará que parcialidade não é bom, porque até mesmo aquele do lado de quem você se coloca está sujeito a prevaricar em seu detrimento. Neste trecho, Deus ensina a seus súditos uma forma de estar menos sujeito a esta lei da processualidade mundana (lei natural, frise-se). Não tome lados, para não se sentir traído duas vezes. Uma vez deve ser o bastante, de fato.
De todo o exposto, temos que o mais importante é o fato de que a processualidade da atividade humana não mudou muito de longos tempos para cá, há dois mil anos o autor da Bíblia já sabia que o homem é um animal prevaricador. Social porque prevaricador; político porque prevaricador.
Ora, não é pacífico na doutrina que o homem se agrupou por ser mais fácil sobreviver em conjunto. Está aí uma das grandes prevaricações de sociedade. A luta da conveniência.
Meus amigos, se vocês notaram essa posição humana só agora, peço que não se revoltem. Até vocẽs prevaricam. É da natureza humana. Nem o autor bíblico nos aconselhou à revolta. Pelo contrário, apenas nos aconselhou ao cuidado. Homem, cuidado com os homens.
O conselho se repete quando aquele pensador diz que o homem é o lobo do homem (eu diria que é o lobo de tudo, até do homem, que é a última ratio). O homem só ataca seu semelhante quando não há outa escolha. E não é por bondade; é porque atacar seu semelhante é como atacar a si mesmo. Uma espécie de dor que o ser humano só aceita - de forma inconsciente - sentir quando não consegue encontrar formas melhores de resolver seus problemas e sanar suas necessidade. Acontece que, com o passar das eras, o homem foi ficando menos criativo. Daí ser cada vez mais constantes os ataques que o homem faz a ele mesmo.

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